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Sob o Sol do Vale dos Vinhedos

Sob o Sol do Vale dos Vinhedos

Surpreenda-se com a região vinícola do sul do Brasil! Apostamos que o verde repleto de videiras é capaz de conquistar os casais apaixonados.

Sob o Sol do Vale dos Vinhedos
Spa do Vinho - Foto: Johnny Mazzilli
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Acalme-se, não cometerei a heresia de comparar nossa mais charmosa região enoturística com a singular Toscana. A italiana é inigualável, mas tenha certeza de que o verde repleto de videiras do sul do Brasil também é capaz de conquistar casais apaixonados, ainda mais agora, em época de colheita.

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Vinho remete a paixão e onde ele surge há romance no ar. É uma máxima autêntica, embora haja também regiões produtoras sem tanta expressão turística. Mas é fato que incluir ícones como Napa Valley (Estados Unidos), Mendoza (Argentina), e dezenas de europeias como Champagne, Provença, Douro, Alentejo, Piemonte e a já mencionada Toscana, como rotas para uma viagem de lua de mel ou para celebrar o amor, faz, sim, todo o sentido.

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Crédito – Prefeitura Municipal

Destinos internacionais trazem desafios como distância, custos em euro ou dólar, e a necessidade de vários dias para fazer valer a pena. É nesse momento que olhamos para o quintal de casa, e nos damos conta que há um belíssima região vínica repleta de história, boa gastronomia e paisagens bucólicas, logo aqui, ao lado.

O Vale dos Vinhedos é vibrante especialmente nessa época do ano, entre janeiro e março (em alguns casos, início de abril) tempo da vindima, com vinhedos repletos de frutos, que colorem verdes colinas. Em uma extensa área que abrange cidades conhecidas como Bento Gonçalves e Garibaldi, surgiram diversos roteiros turísticos regionais, com interessantes atrativos dos tempos do Brasil colonial.

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Cooperativa Aurora – Foto: Carlos Marcondes

Mais uma vez, não dá para comparar com a milenar Europa, mas há heranças até que antigas, que datam de 1875, quando imigrantes italianos, vindos principalmente do Vêneto, começaram a ocupar uma terra quase sem valor, pouco mais de 100 km da capital Porto Alegre. Com eles, vieram seus costumes e tradições como a de plantar vinhas. Surgia então as primeiras parreiras em um terroir que se transformaria no berço dos principais vinhos brasileiros, com a maior produção nacional e os mais premiados rótulos.

Roteiros ao redor de Garibaldi

Já que a viagem celebra o amor, nada como brindar com borbulhas, na capital dos espumantes do Brasil, e porque não dizer, da América do Sul. Sim, a vocação brasileira para este tipo de vinho é expressiva, e há diversos especialistas que colocam a região de Garibaldi – onde em 1913 foi produzido o primeiro exemplar do país – como uma das 10 melhores regiões do mundo para a produção deste tipo bebida – incluindo áreas ao redor, como o município de Pinto Bandeira.

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Peterlongo – Foto: Johnny Mazzilli

Na Rota dos Espumantes estão 20 vinícolas, entre elas, celebres como Chandon, Cooperativa Garibaldi e a Peterlongo, está última com uma atração especial, que ocorre uma vez por mês, batizado de Wine Movie. Na centenária propriedade da vinícola – que é a única no país com o direito de usar o nome Champagne em seu espumante (termo que aqui está relacionado ao método de elaboração da bebida, e não como denominação de origem) – é oferecido, além do tour à cave subterrânea e ao túnel de basalto, a possibilidade de assistir a uma romântica seção de cinema.

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Peterlongo – Foto: Johnny Mazzilli

A experiência de unir a cultura do vinho e da sétima arte ao ar livre, bem ao lado dos vinhedos é de liberdade e contemplação. Relaxadamente sentado em uma cadeira de praia, a ideia é apreciar um filme clássico, acompanhado de bons rótulos, que levam a assinatura de Pascal Marty, badalado enólogo francês, consultor estrelado da repaginada Peterlongo.

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Wine Movie Peterlongo – Foto: Johnny Mazzilli

A melhor forma de explorar a pequena Garibaldi, de apenas 34 mil habitantes, é no passeio Tim-Tim, desbravando o centro histórico de forma inusitada. Em um caminhão GMC usado na 2ª guerra mundial, turistas observam a herança arquitetônica da cidade, onde há 50 prédios feitos em alvenaria que datam entre 1890 e 1920.

O percurso passa ainda por pontos curiosos como a rua Buarque de Macedo, com seus 200 km – a mais extensa do Rio Grande do Sul. Quem comando o tour é Renato Corbelini, um simpático gaúcho, munido de um abastado bigode, que é praticamente um embaixador da cidade, há quase 30 anos transportando turistas por cantos de Garibaldi.

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Veraneio da Vindima em Garibaldi – Créditos: Alexandra Ungaratto

Outras rotas atrativas também enriquecem a visita a região como a Via Orgânica, que reúne empórios, restaurantes e pequenas fazendas produtoras. Já a Estrada do Sabor segue a linha daqueles locais com alma, com gastronomia caseira, trilhas, e que oferecer momentos rurais autênticos.

A maior do Vale

Bento Gonçalves é considerada a capital do vinho do país. Goza de ótima estrutura, com 120 mil habitantes e está no epicentro das principais áreas produtoras de uva do Estado. A cidade é simpática, tem boas opções noturnas e é onde há agito para dançar e desfrutar de bares e restaurantes.

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Garibaldi – Foto: Carlos Marcondes
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Garibaldi – Foto: Carlos Marcondes

Ela é usada como base para explorar vinícolas charmosas, além de rotas históricas como a Caminhos das Pedras, que reúne edificações do tempo da colonização italiana, com casas centenárias construídas em basalto, e que hoje abrigam pousadas e empórios.

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Caminhos de Pedra-Gustavo Bottega – foto: prefeitura municipal
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Caminhos de Pedra – Foto: Gabriela Tansini Lucchese

Uma das paradas imperdíveis é na Casa da Ovelha, um laticínio de produtos orgânicos que funciona em um casarão de 1917, onde há degustações conduzidas de queijo de ovelha. No parque ao lado, a estrutura permite que turistas amamentem jovens cordeirinhos, e acompanhem exibições de falcões e de cachorros pastoreios.

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Casa da Ovelha – foto Davi da Rold – Prefeitura Municipal

Bento é o centro de onde está o Vale dos Vinhedos, a única região demográfica no país que leva o reconhecimento D.O. – Denominação de Origem, para a produção de vinhos finos, que garante regras tanto para o plantio como elaboração da bebida. Ao longo dessa área, espalhada por belíssimas colinas, estão dezenas de vinícolas já consagradas no mercado brasileiro como Casa Valduga, Miolo Wine Group e Lídio Carraro.

Outra emblemática que merece ser conhecida é a Pizzato, famosa por ser umas das pioneiras em investir na produção do Merlot, uva tinta que tem demonstrado ser uma das que mais se adaptaram ao terroir local.

Na visita, além de poder provar dos vinhos, harmonizados com queijos e charcutarias regionais, com um pouco de sorte, é possível encontrar seu Plínio Pizzato, um dos enólogos mais respeitados do nação. “Para mim, uma grande safra é aquela que você faz com carinho do início ao fim do processo”, comenta o simpático viticultor em meio a seus 45 hectares de vinhas próprias.

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Plínio Pizzato – Foto: Carlos Marcondes

De volta à Bento, na área urbana da cidade, é imperdível conhecer a Cooperativa Aurora, a maior vinícola do Brasil, com mais de 1100 famílias cadastradas que produzem 60 milhões de quilos de uvas, 40% voltados para a produção de sucos. O imenso galpão histórico impressiona, pelo tamanho e pelas marcas do pioneirismo de ter sido, na década de 60, a primeira a abrir as portas para o enoturismo. Hoje recebe 180 mil visitantes por ano.

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Cooperativa Aurora – Foto: Johnny Mazzilli
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Aurora – Foto: Johnny Mazzilli

A “Champagne Brasileira”

A Aurora também possuí alguns hectares de vinhedos próprios em Pinto Bandeira, na Rota chamada de Vinhos de Montanha – cerca de 20 minutos de Bento. A região se tornou celebre por demonstrar vocação ideal para a produção de excepcionais espumantes, alguns dos melhore da nação. O percursor por lá é o chileno Mario Geisse, enólogo que iniciou o projeto da Chandon no Vale dos Vinhedos. Hoje, ele assina os rótulos de sua Cave Geisse, produtora que já venceu degustações às cegas com expressivas marcas de espumantes.

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Mario Geisse – Foto: Carlos Marcondes

A propriedade oferece a Geisse Experience, um pacote turístico que inclui visita a cave para conhecer o processo de produção de espumantes elaborados pelo método tradicional (2a fermentação na garrafa), além de visita guiada ao vinhedo, passeio de 4×4 pela mata e encerrando no Espaço Zen, uma área criada aos pés de uma cachoeira, onde são propostos relaxantes e românticos brindes, com respeitados rótulos do país.

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Cave Geisse – Foto: Johnny Mazzilli
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Cave Geisse – Foto: Johnny Mazzilli
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Cave Geisse – Foto: Johnny Mazzilli

Sonhos aos pés de vinhas

Cinco minutos de carro, ou em 15 de bike chega-se a Don Giovani, outra premium na elaboração de espumantes. A bodega familiar tem investindo na transformação de seus vinhedos em orgânicos e em biodinâmicos. Além de excepcionais rótulos ela é uma das poucas que oferecem hospedagem, com uma pousada bem romântica, acostumada a receber casamentos. São apenas oito quartos em um casarão de 1930, recheado de móveis antigos, relíquias e com um restaurante rústico, onde é compulsório provar do risoto de alcachofra biodinâmica, um prato icônico da bodega.

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Don Giovani – Foto: Sal da Terra Fotografia
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Don Giovani – Foto: Sal da Terra Fotografia
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Don Giovani- Foto: Johnny Mazzilli
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Don Giovani- Foto: Johnny Mazzilli

Uma das experiências mais marcantes da Don Giovanni é assistir ao por do Sol em um mirante em meio a vinhas. Com um belo espumante rose em mãos, despedir-se do astro rei em meio a um mar verde de vinhedos é algo realmente especial.

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Don Giovani- Foto: Johnny Mazzilli

Outra hospedagem que merece ser consultada por casais em lua de mel ou em viagens românticas é a Borghetto Sant’Anna, considerada a mais exclusiva do Vale. São apenas sete acomodações onde além do charme, a elevação de cada suíte ou casa de pedra, proporciona cênica vista da serra.

Menos intimista mas muito cobiçada, o Spa do Vinho fica ao lado de vinhedos da vinícola Miolo, famoso por sediar casamentos e pelos tratamentos terapêuticos com produtos à base de uva. São 128 quartos, em uma bela propriedade, que tenta encontrar identidade entre o clássico e o formato resort.

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Spa do Vinho – Foto: Johnny Mazzilli

Se a opção for ficar nas áreas urbanas das cidades, vale consultar o Casacurta em Garibaldi e o Dall’Onder Grande Hotel, no coração de Bento Gonçalves.

Tempo de colher

Perfume de uva no ar e vinhedos recheados, belíssimos para fotos e selfies. Se por um lado os enólogos estão aflitos para a hora mais esperada do ano, por outro, a energia da vindima é única. Algumas vinícolas promovem experiências clássicas que aproximam o visitante dessa cultura. É o caso da vinícola Cainelli, que oferece passeio de trator, poda em parreiras e ainda finaliza o tour com a tradicional pisa das uvas.

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Veraneio da Vindima em Garibaldi – Créditos: Alexandra Ungaratto

Há diversos tours que levam por esses roteiros, mas o recomendável é ter um carro alugado para desvendar cada micro-região com liberdade, porém, sempre atento a questão da Lei Seca. Perder-se em viagem romântica em meio ao Vale dos Vinhedos traz paz a alma, ainda mais em um lugar tão belo, relativamente seguro, e que nos faz constatar que ainda há bom nível de civilidade, aconchego e charme, em alguns cantos desse nosso Brasil.

Argenta

Há outra rota cobiçada a ser explorada na região: a Vinhos dos Altos Montes, na cidade de Flores da Cunha. A principal atração é conhecer a impressionante Luiz Argenta, vinícola boutique que envasa apenas 300 mil garrafas por ano. Trata-se de um projeto ousado e moderno, onde o destaque, além dos vinhos, é o restaurante Clô – de filosofia slow food, e com vista panorâmica para os vinhedos. Ao lado funciona o Clô Wine Bar, em um casarão de 90 anos, com drinks de vinhos, espumantes e bruchettas.

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Vinícola Luiz Argenta – Foto: Johnny Mazzilli
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Enólogo Luiz Argenta – Foto: Johnny Mazzilli Foto: Carlos Marcondes
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Vinícola Luiz Argenta – Foto: Johnny Mazzilli

Bike e Maria Fumaça

Um é ecológico e saudável. Já o outro é histórico e um pouquinho poluidor. O passeio por vinhedos de bicicleta é altamente recomendável. O Grupo Dall’onder organiza cinco roteiros turísticos além de oferecer opções customizadas. Já o trem percorre o trajeto entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, com vinhos inclusos e apresentações folclóricas que entretém os passageiros durante as paradas nas estações.

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Garibaldi – Foto: Carlos Marcondes

Onde comer

Além dos abastados cafés da manha coloniais, o frango com polenta e a sopa de capeletti surgem como símbolos da mesa regional. Abaixo três interessantes endereços:

Caldeira Restaurante e Bar – Em Bento Gonçalves, um lugar descolado para provar do tradicional Ossobuco com Polenta. restaurantecaldeira.com.br/

Casacurta Restaurante – Em Garibaldi, o restaurante do hotel mescla técnicas francesas com a cozinha italiana, em um ambiente que remete a uma taverna. São associados ao movimento Slow Food – hotelcasacurta.com.br/restaurante

Osteria della Colombina – Na Rota dos Sabores, dona Odete Bettú montou um autêntico espaço no porão de sua casa. Boa parte do cardápio é elaborado em forno à lenha. estradadosabor.com.br/odete_bettu

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